Dia 24 ▸ Escolha algum trecho da história e reescreva-o sobre o ponto de vista de algum personagem (de outro, se a história for narrada em primeira pessoa).
(Vou dizer que isso custou, custou muuuuito pra sair e tá ridículo, mas só pra passar logo esse dia 24. A cena é um flashback dentro da história sobre Jaimie e Rox e narrada aqui pelo Thales.)
Bando de veados.
Um bando. Sou rodeado deles. Maricas, bichas, boiolas. O nome que você quiser dar.
Reviro os olhos só de pensar.
O pior é que: eu não ligo. Digo, mentira, ligo sim. Mas só porque assustam todas as garotas de perto de mim, porra! Eu vivo dizendo que sou o único homem que frequenta esse estúdio, mas todo mundo bate boca comigo.
Odeio quando fazem isso! Quero dizer, quando afastam as mulheres. O bate boca dá pra controlar. Até gosto.
Mas, digo, não todos afastam. Elas normalmente vem por causa do Rox. Mas, afinal, quem não vem por causa dele? Todo mundo vem por causa dele.
Até o moleque vocalista novo veio por causa dele. Jaimie Jey.
Eu não iria por ele - se eu fosse gay, claro; foi justamente o que acabei de falar. Não mesmo.
Se eu fosse veado, nunca correria atrás do Rox. Aquele monte de cabelo esparramado nas costas feito índio não me agrada.
Enfim. O Jaimie é legal, canta bem e tal. Mas ele tá interessado em outra coisa aqui hoje. E sei que o Rox também tá, só que os dois ficam nessa lenga-lenda fodida que me estoura os miolos.
Fico só no camarote e jogando confete.
(por mais gay que isso possa soar)
- Cancelamos o ensaio. Ninguém tem condições – digo pra ele assim que Jey abre a porta do estúdio nesse sábado a tarde. Remexo os pés dentro dos coturnos fedorentos; sei que Rox, deitado no sofá ao meu lado, estaria reclamando se não fosse a fumaça do nosso cigarro. Cutuco-o com a ponta da bota. – Tu deveria ter ligado pra ele, sacana.
Sei que ele não ligaria. O sorrisinho no canto da boca confirma que queria ver o pirralho.
Veado filho da puta.
Passamos a tarde conversando e fumando. Adoro falar de mulher com eles, principalmente com o Rox. Ele quase nunca me responde, mas é engraçado mesmo assim ver sua cara de desgosto.
Conto ao Jaimie sobre minha ex "namorada" - entre aspas mesmo porque a vadia não servia pra ser namorada nem de coelho - ou de macaco, sei lá, já que ficava pulando de galho em galho. Saca?
Então, só pra dar um empurrãozinho pro cabeludo meu amigo, comento sobre o cara que ele tava de rolo e que era meio amigo dessa vadia. Rox ia me fuzilar - de verdade - se o tiro saísse pela culatra, mas e daí? Eu já tava naquela ressaca maldita e trancafiado num cubículo cheio de gays, qual outra morte seria mais dolorosa?
Fora que Ucker tava no andar de cima. Só pela minha presença ele me mataria - e sem precisar do fuzil.
Outro meio-veado filho da puta.
-...Ela andava com aquele cara lá, que você tava pegando de vez em quando, Rox. Aquele da boina, muito gay. Nunca fui com a cara dele. Não tinha nada a ver contigo e a menina também era uma vadia sem noção.
Percebi os olhos do moleque se arregalando; Ele não conseguia disfarçar.
Porra, eu estava mesmo fazendo o papel de cupido!
Espera; o cabeludo se levanta na maior classe, como se não estivesse morrendo de dor de cabeça e com os poros todos entupidos de fumaça. Vai ao banheiro. Eu o chuto quando ele dá a volta no sofá.
- Porque você não corta esse ninho na cabeça? Dá um trabalho desgraçado, tu sabe disso.
- Tem gente que gosta. – Rox responde.
- Você, só se for! – rebato. Vejo Jaimie sorrir. É óbvio que ele tem uma opinião diferente da minha em relação aos cabelos do Rox. É muito óbvio! Então me viro pra ele, colocando mais lenha na fogueira e me estiro no sofá. – Tu gosta?
- De quê? - o garoto gagueja.
Coitado. Deve estar com o sangue gelado de pensar que o cabeludo vai escutá-lo. Então eu provoco; sou um bom amigo, vai!
Me estiro no sofá, espreguiço, chuto o couro velho com as botas e espero a descarga do banheiro ser acionada pra poder continuar falando. Preciso que Rox escute isso. Preciso que ele me agradeça depois - provavelmente com uma dose de vodca ou algo parecido. Só pra completar a ressaca, sabe.
- Do cabelo do Rox.
- Gosto. – Jaimie responde, sincero. Levanto as sobrancelhas pra ele enquanto Rox se localiza na conversa e se senta ao pé do sofá, na frente dele.
Ótimo, posição perfeita pra juntar os pombinhos. Só falta o toque final. Papai Thales aqui está de olho, moleques!
- Nah, se eu fosse gay, não ia gostar de um cara magro, desajeitado e cabeludo que nem esse aqui. – cutuco Rox com a bota novamente. – Não faz meu tipo.
- Ainda bem que você não é. Ninguém ia gostar de você de volta. – Rox entra na brincadeira. Gosto desse cara. Por mais que ele seja gay e tudo, eu gosto desse filho da puta. Ele sabe acompanhar meus pensamentos. E se diverte com eles de vez em quando. – E você não faz meu tipo, tampouco.
Solto aquele gargalhada de tirar o fôlego - já escasso por causa das tragadas e do cigarro que estamos consumido desde, sei lá, nove da manhã. São quase quatro da tarde já.
Pra colocar a cereja na cobertura, me viro pro mais novo:
- Eu faço seu tipo? – Jaimie nem se dá ao trabalho de responder, só balança que "não" com a cabeça, sorrindo e achando a pergunta idiota demais. Era óbvio que não. Sei muito bem quem faz o tipo dele.
- Viu só? - Rox interrompeu, apontando pra mim. – Gente que pensa.
Só não saio gritando "se agarrem logo!" porque não quero ser testemunha desse crime. Não dessa vez, não agora. Eles vão fazer isso cedo ou tarde.
Só espero que se lembrem de me agradecer depois. Ah, espero mesmo!
(Vou dizer que isso custou, custou muuuuito pra sair e tá ridículo, mas só pra passar logo esse dia 24. A cena é um flashback dentro da história sobre Jaimie e Rox e narrada aqui pelo Thales.)
Bando de veados.
Um bando. Sou rodeado deles. Maricas, bichas, boiolas. O nome que você quiser dar.
Reviro os olhos só de pensar.
O pior é que: eu não ligo. Digo, mentira, ligo sim. Mas só porque assustam todas as garotas de perto de mim, porra! Eu vivo dizendo que sou o único homem que frequenta esse estúdio, mas todo mundo bate boca comigo.
Odeio quando fazem isso! Quero dizer, quando afastam as mulheres. O bate boca dá pra controlar. Até gosto.
Mas, digo, não todos afastam. Elas normalmente vem por causa do Rox. Mas, afinal, quem não vem por causa dele? Todo mundo vem por causa dele.
Até o moleque vocalista novo veio por causa dele. Jaimie Jey.
Eu não iria por ele - se eu fosse gay, claro; foi justamente o que acabei de falar. Não mesmo.
Se eu fosse veado, nunca correria atrás do Rox. Aquele monte de cabelo esparramado nas costas feito índio não me agrada.
Enfim. O Jaimie é legal, canta bem e tal. Mas ele tá interessado em outra coisa aqui hoje. E sei que o Rox também tá, só que os dois ficam nessa lenga-lenda fodida que me estoura os miolos.
Fico só no camarote e jogando confete.
(por mais gay que isso possa soar)
- Cancelamos o ensaio. Ninguém tem condições – digo pra ele assim que Jey abre a porta do estúdio nesse sábado a tarde. Remexo os pés dentro dos coturnos fedorentos; sei que Rox, deitado no sofá ao meu lado, estaria reclamando se não fosse a fumaça do nosso cigarro. Cutuco-o com a ponta da bota. – Tu deveria ter ligado pra ele, sacana.
Sei que ele não ligaria. O sorrisinho no canto da boca confirma que queria ver o pirralho.
Veado filho da puta.
Passamos a tarde conversando e fumando. Adoro falar de mulher com eles, principalmente com o Rox. Ele quase nunca me responde, mas é engraçado mesmo assim ver sua cara de desgosto.
Conto ao Jaimie sobre minha ex "namorada" - entre aspas mesmo porque a vadia não servia pra ser namorada nem de coelho - ou de macaco, sei lá, já que ficava pulando de galho em galho. Saca?
Então, só pra dar um empurrãozinho pro cabeludo meu amigo, comento sobre o cara que ele tava de rolo e que era meio amigo dessa vadia. Rox ia me fuzilar - de verdade - se o tiro saísse pela culatra, mas e daí? Eu já tava naquela ressaca maldita e trancafiado num cubículo cheio de gays, qual outra morte seria mais dolorosa?
Fora que Ucker tava no andar de cima. Só pela minha presença ele me mataria - e sem precisar do fuzil.
Outro meio-veado filho da puta.
-...Ela andava com aquele cara lá, que você tava pegando de vez em quando, Rox. Aquele da boina, muito gay. Nunca fui com a cara dele. Não tinha nada a ver contigo e a menina também era uma vadia sem noção.
Percebi os olhos do moleque se arregalando; Ele não conseguia disfarçar.
Porra, eu estava mesmo fazendo o papel de cupido!
Espera; o cabeludo se levanta na maior classe, como se não estivesse morrendo de dor de cabeça e com os poros todos entupidos de fumaça. Vai ao banheiro. Eu o chuto quando ele dá a volta no sofá.
- Porque você não corta esse ninho na cabeça? Dá um trabalho desgraçado, tu sabe disso.
- Tem gente que gosta. – Rox responde.
- Você, só se for! – rebato. Vejo Jaimie sorrir. É óbvio que ele tem uma opinião diferente da minha em relação aos cabelos do Rox. É muito óbvio! Então me viro pra ele, colocando mais lenha na fogueira e me estiro no sofá. – Tu gosta?
- De quê? - o garoto gagueja.
Coitado. Deve estar com o sangue gelado de pensar que o cabeludo vai escutá-lo. Então eu provoco; sou um bom amigo, vai!
Me estiro no sofá, espreguiço, chuto o couro velho com as botas e espero a descarga do banheiro ser acionada pra poder continuar falando. Preciso que Rox escute isso. Preciso que ele me agradeça depois - provavelmente com uma dose de vodca ou algo parecido. Só pra completar a ressaca, sabe.
- Do cabelo do Rox.
- Gosto. – Jaimie responde, sincero. Levanto as sobrancelhas pra ele enquanto Rox se localiza na conversa e se senta ao pé do sofá, na frente dele.
Ótimo, posição perfeita pra juntar os pombinhos. Só falta o toque final. Papai Thales aqui está de olho, moleques!
- Nah, se eu fosse gay, não ia gostar de um cara magro, desajeitado e cabeludo que nem esse aqui. – cutuco Rox com a bota novamente. – Não faz meu tipo.
- Ainda bem que você não é. Ninguém ia gostar de você de volta. – Rox entra na brincadeira. Gosto desse cara. Por mais que ele seja gay e tudo, eu gosto desse filho da puta. Ele sabe acompanhar meus pensamentos. E se diverte com eles de vez em quando. – E você não faz meu tipo, tampouco.
Solto aquele gargalhada de tirar o fôlego - já escasso por causa das tragadas e do cigarro que estamos consumido desde, sei lá, nove da manhã. São quase quatro da tarde já.
Pra colocar a cereja na cobertura, me viro pro mais novo:
- Eu faço seu tipo? – Jaimie nem se dá ao trabalho de responder, só balança que "não" com a cabeça, sorrindo e achando a pergunta idiota demais. Era óbvio que não. Sei muito bem quem faz o tipo dele.
- Viu só? - Rox interrompeu, apontando pra mim. – Gente que pensa.
Só não saio gritando "se agarrem logo!" porque não quero ser testemunha desse crime. Não dessa vez, não agora. Eles vão fazer isso cedo ou tarde.
Só espero que se lembrem de me agradecer depois. Ah, espero mesmo!
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